Discurso de Sua Majestade, o Rei Guilherme Alexandre, no Banquete de Estado oferecido pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio da Ajuda, Lisboa, a 10 de Outubro de 2017


Senhor Presidente

A minha esposa e eu agradecemos a recepção calorosa que tivemos aqui, no Palácio da Ajuda. Obrigado pelas suas cordiais palavras que realçam a nossa amizade.
Portugal é uma das nações mais antigas do mundo, com fronteiras que pouco mudaram em oito séculos. Ao mesmo tempo, o seu país é um exemplo da capacidade de transformação. Uma e outra vez Portugal se reinventa em tempos de mudança.
Qualquer pessoa com alguma consciência histórica sabe o que os Holandeses têm a agradecer aos Portugueses. Foram os seus antepassados ​​que revelaram o mundo a outros países europeus, e, portanto, também a nós. Foram os seus destemidos compatriotas que exploraram novos caminhos marítimos e aportaram a margens longínquas. Nós vimos como os Portugueses faziam, mas só anos mais tarde, lhes seguimos o exemplo.
Que os nossos países se tenham tornado concorrentes é a ironia da história. Mas uma coisa é certa: o nosso comércio foi em parte baseado no conhecimento dos Portugueses dos oceanos. O nosso ‘Século de Ouro’ reflectia o fulgor do brilhante exemplo de Portugal.
Esta impressionante história faz de Portugal um país muito especial. Portugal sempre foi ‘testa de ponte’ da Europa; um posto avançado, com vista para o mar. O português é uma língua mundial, falada em quatro continentes. Os seus laços com diferentes povos e culturas são também extraordinários, no nosso tempo. Portugal conhece o valor da diversidade, da tolerância, da abertura e do intercâmbio. Valores que estão sob pressão em muitos lugares do mundo, mas que consideramos a essência da nossa sociedade livre.
A União Europeia pode congratular-se com um país assim como Estado-Membro. O senhor Presidente sabe quanto esforço fizeram os Portugueses para chegar a esse termo. O senhor cresceu num país que não era livre, que encontrou o seu caminho para a democracia. O senhor pertenceu à primeira geração de representantes livremente eleitos, e contribuiu activamente para o estabelecimento de uma constituição onde os princípios do Estado constitucional democrático estão ancorados.
Portugal uniu-se à comunidade europeia de países livres. Juntos, os Portugueses conseguiram realizar reformas radicais. A transformação económica exigiu sacrifícios e apelou fortemente à resiliência dos Portugueses. Os últimos anos não foram fáceis para muitas pessoas no seu país. Ainda hoje, muitos jovens têm dificuldade em encontrar trabalho de acordo com as suas capacidades.
No entanto, há razões para ser optimistas quanto ao futuro!

É com grande admiração que vemos Portugal assumir a liderança na necessária transição para a energia renovável.
Vemos como este país celebra uma nova aliança com o mar, investindo com sucesso na "economia azul".

Vemos como Lisboa, a Grand Old Lady da Europa, rejuvenesce e ilumina visitantes de todo o mundo, criando novas oportunidades.
Vemos Portugal a conquistar o Campeonato da Europa, com um futebol imbatível e o Festival da Eurovisão, com jazz de carácter íntimo.
Vemos Portugal como um aliado da OTAN a contribuir de forma valiosa para a paz e para a segurança.
E vemos como Portugueses proeminentes são chamados internacionalmente para posições de alto-relevo. António Guterres, como Secretário-Geral das Nações Unidas, é o superior da minha esposa, na sua qualidade de especialista em financiamento inclusivo para o desenvolvimento.

Além de tudo isto, somos cativados pelo modo de vida português. Dizem que os Portugueses conhecem mil formas de cozinhar ‘bacalhau’. Isto ilustra a sua atenção especial para com as coisas comuns que tornam a vida linda e valiosa.

Aqueles que conheceram a hospitalidade e o calor deste país vão sempre querer voltar. Portugal abraça-nos. É como nos famosos versos da rainha do fado Amália Rodrigues...
dois braços à minha espera…’.
É uma casa portuguesa, com certeza!

Posso pedir-lhe que brinde comigo?
À sua saúde, Senhor Presidente.
À cordial amizade entre a República Portuguesa e o Reino dos Países Baixos.