Dia Internacional da Mulher: Entrevista com Lara Brans

Para comemorar o Dia internacional da Mulher, as mulheres da Embaixada dos Países Baixos entrevistaram uma líder inspiradora da Empresa JDE no Brasil, para entender sua trajetória profissional e os principais desafios de sua carreira.

A Lara Brans é uma holandesa que assumiu a liderança da empresa JDE no Brasil em 2015 e foi nomeada uma das mulheres mais importantes no Brasil pela revista Forbes em 2017.

Lara Brans

Lara Brans - Presidente da JDE Brasil

Aprenda a dizer mais sim do que não, para as novidades, como uma forma de sair da zona de conforto e viver novas experiências e aprendizados.

Você poderia se apresentar e descrever a sua trajetória para aqueles que ainda não a conhecem muito bem?

Sou holandesa e formada em economia pela Universidade de Roterdã, na Holanda, eu comecei a minha carreira em 1992 em uma consultoria local chamada VODW Consultancy. Em 1998, iniciei a minha trajetória na atual JDE, quando a empresa ainda fazia parte do conglomerado norte-americano Sara Lee. Em 2003, fui transferida para a Ásia, onde liderei a diretoria regional de aromatizadores de ambientes na Ásia-Pacífico. 4 anos mais tarde, me mudei para Austrália, para liderar os negócios de café da JDE na Austrália e Nova Zelândia, também assumi o conselho administrativo local. Em 2015, aceitei o desafio de assumir a liderança da operação da JDE no Brasil, onde a empresa é conhecida através das suas marcas de cafés Pilão, Café do Ponto, Caboclo, Café Pelé, Damasco e L’OR. No país nós temos 3 fábricas e empregamos aproximadamente 1.600 pessoas.

Você foi nomeada uma das 40 mulheres mais poderosas do Brasil pela Forbes. A que você atribui esse sucesso?

Me senti muito honrada com essa nomeação. Foi uma surpresa muito boa! Mas acredito que esse reconhecimento é resultado da visibilidade que o mercado brasileiro tem a respeito do importante movimento que está sendo liderado pela JDE Brasil. Através da minha equipe local, queremos agregar mais valor, com altos padrões de qualidade, para todas as categorias de café no país. O Brasil é o país do café e eu tenho muito orgulho de defender a democracia de consumo do café, a premiunização do segmento e a diversidade que representa os nossos consumidores.

Houve grandes obstáculos que você, como mulher, encontrou durante sua carreira e atualmente como Presidente da JDE Brasil? Como você lidou com isso?

Eu acredito que nós mulheres não nos promovemos tanto quanto poderíamos e temos potencial para fazê-lo. Nós somos capazes de fazer diversas coisas ao mesmo tempo, de nos planejarmos e temos um senso de realização altíssimo, mas precisamos aprender a nos promover como profissionais qualificadas que somos. No dia a dia, preferimos ter uma postura mais humilde e, sem dúvidas, essa é uma barreira que eu precisei quebrar ao longo dos anos. Além disso, a minha experiência em diversos países deixou claro que diferentes culturas podem destacar inúmeros desafios e atitudes diversas em relação às mulheres.

Você se considera um modelo a ser seguido? Como você interpreta isso?

Quando você ocupa uma posição de liderança é importante ter consciência de que as pessoas irão te observar a todo momento. Eu vejo isso como oportunidade a medida que os meus comportamentos estejam alinhados com os valores da empresa. Não somente no que eu falo, mas na maneira como vivo esses valores, pois acredito que é bem importante sermos autênticos e verdadeiros. Eu valorizo a simplicidade na forma como falo com as pessoas em todos os níveis da organização e também gosto de reforçar o meu compromisso de entregar aquilo com o que me comprometo. Acredito que demostrando essas atitudes eu defino o meu padrão de comportamento da mesma forma que esclareço o que espero das pessoas.

Ser inclusivo e estimular a inclusão traz o melhor das pessoas uma vez que todos forem convidados a contribuir

Você tem dicas para outras mulheres jovens que estejam empenhadas a trilhar uma carreira ambiciosa?

Aproveite todas as oportunidades que surgirem em seu caminho. Aprenda a dizer mais sim do que não, para as novidades, como uma forma de sair da zona de conforto e viver novas experiências e aprendizados. A carreira pode e deve ser planejada, mas não deixem de aproveitar o que a vida te oferecer ao longo da jornada. Se viver em um outro país estiver entre as suas ambições de carreira, eu recomendo fortemente essa experiência, aprender novas línguas, viver novas culturas e abrir a sua mente. E claro, tão importante quando tudo isso é encontrar um bom equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Você vê a diversidade como um fator de sucesso para uma empresa? Como isso se traduz?

Com toda certeza a diversidade é um dos fatores de sucesso. E esse é um tema importante que precisa ser discutido cada vez mais. Não há dúvidas de que nós podemos alcançar melhores soluções olhando sobre diferentes perspectivas. Quanto maior a diversidade, mais as empresas ganham em termos de engajamento e representatividade dos seus consumidores ou clientes, qualidade e consequentemente em resultados. Ser inclusivo e estimular a inclusão traz o melhor das pessoas uma vez que todos forem convidados a contribuir.

Existe, na sua opinião, vantagens de ser uma mulher presidente de empresa?

Acho que em geral as mulheres são mais receptivas e acessíveis nas relações interpessoais, são também mais sensíveis ao que acontece no entorno e, através da intuição, as mulheres tomam decisões assertivas em diferentes situações. Eu acredito que isso conta positivamente quando há intenção genuína de implementar uma cultura de diversidade de gênero nas empresas, e nós devemos incentivar a igualdade de representação em todas as áreas, funções e níveis hierárquicos.

Agradecemos a Lara pela participação e desejamos a todas mulheres um feliz Dia da Mulher!